domingo, 10 de agosto de 2008

Primeira Parte – O Amor Morreu


Ensaio da Morte do Amor

Primeira Parte – O Amor Morreu

O amor morreu. Ou será que enterraram outro no seu lugar? Talvez a paixão? Quem sabe a amizade? Até mesmo o ciúme pode ter sido vítima, afinal como é o amor? Sendo o amor ou não seu nome estava lá, naquela cripta, no meio do nada. Apenas velada por uma cruz e um coração entalhado em um pedaço de madeira. Mas você deve estar se perguntando como cheguei ate aqui, ou como soube da morte do amor e ate mesmo quem sou eu, para de maneira tão abrupta revelar a morte de alguém tão conhecido. Tudo começou sete semanas atrás.

O amor era um famoso procurado da policia, e também dos criminosos. Cedo ou tarde tinha mesmo que ir para debaixo de sete palmos de terra. Afinal diversas vezes mataram e morreram por amor, ele nunca nem se quer tentou se defender, nem por um instante, tão certo de si, como sempre foi, era o amor. Hoje foi colocado na lista dos desaparecidos. A policia, que nunca soube de seu paradeiro, continuou na mesma, já os criminosos especulavam quem poderia telo feito desaparecer. Don Giovanni era forte candidato, todos sabiam como os dois eram ligados, e também sabiam que tudo que o Don aprontava era apenas para mascarar seu verdadeiro sentimento, Don sentia ciúme das escapulidas que seu cônjuge lhe pregava. Dentre as mulheres Salomé era figurinha forte nas rodas de apostas, afinal seu temperamento agressivo era muito conhecido entre os rapazes, e para ela dar cabo do amor era apenas uma questão de dias em seu ciclo menstrual.

Eu, apostador compulsivo, estava em uma corrida de cavalos quando ouvi falar do desaparecimento do amor, mas estando acostumado ao meio falso em que atualmente vivia, e ainda vivo, o das apostas, decidi verificar. Não pense que me interesso por ser curioso ou por gostar do amor, já tivemos lá nossos contatos, mais ha muito que havia rompido com esse cara. Meu interesse era nas apostas, imagina se eu consigo uma informação dessas, ganharia uma nota fácil e rápida, e no final das contas para quem não estava a fazer nada, fazer alguma coisa até ajuda a passar o tempo.

Foi assim que comecei a procurá-lo. Fui primeiro nos lugares onde tinha certeza que ele havia passado, o que era o caso da rua das meninas que ficava na periferia do centro da cidade. Encontrei-me com a Maguinífica, porém ela parecia não querer me dizer muita coisa. Molhei a mão do cafetão que a segurava pelo braço direito, sujeitinho ranhoso, desses baixinhos que só porque carregam uma arma na cintura se acham como se tivessem mais de dois metros. A Maguinífica era um mulherão, do lado daquele cara parecia uma deusa de ébano, já tínhamos saído algumas vezes, mas pessoalmente prefiro a conquista do que o aluguel. O cara pegou o dinheiro da minha mão e contou na minha frente, cara de pau, depois me deu um sorriso falso e saiu. Foi ai que ela começou a falar. Disse-me que não sabia nada sobre o desaparecimento do Amor, que ele só ia lá de vez em quando, na maior parte do tempo que freqüentava aquela área era a Sacanagem, o Amor só ia lá de vez em quando. Eu lhe perguntei se a ultima vez que ela o virá estava sozinho. Me disse que estava acompanhado de um velho, esse sim freqüentava a área, chamado Johnny Walker. Ela me disse onde eu poderia encontrá-lo, agradecia e dei-lhe uma grana, depois fui-me embora.

O velho Johnny Walker, velho porem boa pinta, tive raras oportunidades de conversar com ele, mas assim que cheguei perto e comecei a falar ele não pareceu se importar em responder algumas perguntas minhas. Na verdade parecia bastante interessado no que eu sabia. Para o azar dele eu não sabia nada, porem ele não precisava saber que eu não sabia. Como bom jogador que sou flertei algumas respostas falsas para ver o que o velho poderia me dizer.

Depois de quase duas horas, e de secar todas as suas informações cheguei a duas conclusões, a primeira de que ele estava tão perdido quanto eu e a segunda de que não tinha dinheiro para pagar o garçom. Rapidamente, entretanto um pouco torto, levantei-me e disse que precisava ir ao banheiro, sabia que pelo basculante que ficava acima da privada da segunda porta do banheiro feminino poderia escapar facilmente, pois esta dava direto para o estacionamento, onde meu carro me aguardava. Como sei deste basculante? Ora, não vá me dizer que você nunca levou uma mulher para o banheiro feminino? Esta bem, eu também não, mas um dia saindo do bar, em um estado bem parecido com este que me encontro agora, parei neste mesmo basculante para observar umas bundas, mas tudo que pude ver foi o pau de um travesti que havia ido ao banheiro urinar.

Assim fui andando em direção ao banheiro, não em linha reta, mas em uma linha curva bem delimitada. Logo que me vi diante da pequena placa de uma boneca com saia, que a principio nada representa, entretanto, por convicção, nos ficou definido como sendo o símbolo universal feminino, significa: eu sei que você quer entrar, mas você sabe que não pode – nessa hora o maldito Johnny Walker me entregou. Eu senti uma reviravolta no estomago e não pude segurar o vomito, bem na hora que uma das meninas que ficam dançando no palco estava prestes a sair, por sorte não a acertei, mas a porrada que o Johnny me deu foi tão forte que assim que consegui me por de pé novamente estava cercado por dois seguranças, que mais pareciam dois armários de cinco portas, e, a base de supapos, me jogaram para fora do estabelecimento onde estava. Nada podendo fazer e com o dia amanhecendo nas minhas costas, só pude pegar o carro e voltar para casa, sabia que após uma boa noite de sono poderia voltar a investigar a morte do amor.

Continua...

Imagem de Propaganda

3 comentários:

sweetsilent disse...

Espero que tenha continuação,se não tiver..vodoo na certa.
A personificação/prosopopéia é algo fantastico, jogada de mestre , ta na fila do hall dos clássicos, se houver continuação podemos até conversar.

hahahhahahha.


Ao revoair.

Adrian Troccoli disse...

A continuação haverá, só não sei se agradará...

(...)

Ana Rosa disse...

achei...... dr."adrian trccoli"....