“Tão perto, e ainda tão longe esta...”
Você não vê agrade que nos separa. É a grade inescrupulosa do destino. Quem consciente da pequeneza humana teria a coragem de dizer que podemos ultrapassar essa grade. Nos vemos por entre as frestas, nos tocamos na ponta dos dedos. Nossas palavras são claras e distintas e isso é o mais frustrante, pois sabemos o quão perto estamos.
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Não conhecemos o longo gradeado que nos separa. Temos medo de ir procurar uma passagem pela grade, quem sabe até mesmo um portão no destino, e não encontrando não nos encontrarmos mais também. Esse comodismo nos assola. Eu pensei em pular a grade, cavar o chão, quebrar o muro do destino. Você ficou receosa da punição, mais uma vez ficou com medo da eterna separação.
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Começo a desconfiar que você não gosta realmente de mim. E isso nos afasta cada vez mais. Quando você percebe que já não te freqüento com tanta periodicidade tenta pular a grade. Consegue. E do outro lado me vê com um outro alguém. Si magoa e volta pro seu lado. Quando venho te visitar age naturalmente como se nada tivesse acontecido. Mi prefere distante a idéia de um dia não mais ter. É ai que você erra. Eu queria ti ter por segundos e lembrar o resto da vida o quanto foi bom.
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Você é bicho escaldado, se me aproximo demais você foge, se me aproximo de menos você também foge. E nessa tênue linha vou te perdendo tenuamente até um dia não mais te querer. E você triste virar pra mim e falar que nunca quis me querer.
“Tão perto, e ainda tão longe esta...”
Imagem de William-Adolphe Bouguereau

