domingo, 29 de novembro de 2009

Curtas



“Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.”

William Shakespeare

Sentado dentro do aquário que lhe cabia na seção do departamento Antônio olhava atentamente para Cláudio. O amor que aquele sentia por este parecia incondicional. A repulsa que algo dentro dele gerava também. Como poderia ele gosta de outro homem...Como poderia aquele homem não sentir o que ele sente, como pode alguém ser tão amado sem retribuir. Na terça feira, na hora do almoço, sentaram-se os dois juntos. Carmem que sempre comia com os dois adoeceu e faltara, era chance de Antônio dizer aquilo que a dias dormia em sua garganta, arranhando toda noite em sintonia com as batidas do seu coração.

- Cláudio...

- O que?

- A cinco anos que nos conhecemos...já faz bastante tempo...

- É, quantas merdas nos já não fizemos juntos, dês dos tempos de faculdade...

- Eu sempre tive varias namoradas, você sempre foi meio lerdo com isso...

- (Risos) Eu nunca gostei de ficar preso a ninguém...

- Cláudio...

- Que é?

- Acho que te amo...

Cláudio levantou da mesa e saiu andando. Nunca mas falou mais do bom dia com Antônio novamente. Chateado com a situação, mas ciente de seus sentimentos Antônio se mudou, foi morar em outra cidade, Cláudio nunca mais teve noticia do amigo.

Cláudio continua pulando de relacionamento em relacionamento e todas as meninas que leva pra casa lhe perguntam quem é o bonito rapaz da foto presa no espelho da cômoda...

Contra mentir para si mesmo o remédio ainda não foi encontrado.

(Não esperem muito do texto, só passando o tempo. Espero em 2010 conseguir escrever uma história continua)

Imagem de Caravaggio

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Por ai...


“Eu sinto. Sinto algo de ruim que se aproxima, uma sombra que nos encobre. É a sobra do futuro, futuro incerto. Deixe me ir, eu quero ir primeiro, porra me esperem seus bandos de filhos da puta, me esperem passar pela linha de chegada, não custa nada me deixar ganhar ao menos uma vez. Não quero ganhar mais nada. Só quero ser o primeiro. Quando eu passar vocês me sigam, eu não temo o fim o que eu temo é ter de trilhar o caminho sem vocês. Por que haveria eu de querer trilhar essa merda de caminho, pedregoso, incerto, hora curvo hora reto. Eu sei que a felicidade é passageira e que a dor que não passa, ela esta nos objetos, nas lembranças, em tudo.


Por isso peço, melhor, lhes imploro, deixe me chegar em primeiro lugar.”


“Fraco de merda, choras quando mais precisam de ti, ri quando ninguém mais ri. Morra ou adapte-se.”


“Nada irá acontecer com aquele que com Deus for um só.”


“As mascaras não servem pra esconder, elas transformam o que vestem.”


“Algo pra se esquecer.”


Só para constar, estou na tentativa de encontrar um personagem central pra minhas histórias por isso o texto fora de época e por isso da falta de textos.


Imagem de Sir Lawrence Alma-Tadema

domingo, 23 de agosto de 2009

30º Dia




Um silêncio momentâneo foi rompido pela profunda respiração de Miro que ofegava e suava enquanto apontava o cano de um 38 preto para o próprio queixo. De longe Carla chorava incontrolavelmente, apenas coberta por um fino lençol de cama que descuidadamente mostrava-lhe parte do seio esquerdo. A três palmos de distancia dela Pedro observava boquiaberto e nu toda aquela cena. Todos estavam de pé e dispostos como em roda, o silêncio durou por cinco segundos que passaram como se fossem uma hora. Uma lagrima azeda correu pelo rosto de miro e desceu pela lateral da pistola como que a alisando. O gatilho estalou com o polegar de Miro que o colocava pra traz. Como que de forma natural Pedro deu um passo a frente e estendeu lentamente a mão em direção a Miro.

Um tiro de pistola, um grito de mulher e um corpo estendido no chão. Foi o que se deu nos cinco segundos seguintes.

(Continua)

Imagem de Joan Miró