Só gosto de ler o jornal pela manhã. Conforme o dia vai passando sinto como se aquelas notícias impressas pela manhã tivessem ficado velhas.
Como constituir idéias novas dentro de velhos modelos. Esse é o meu problema com a política nacional. E acho realmente que á uma supervalorização do voto.
Meu corpo é um tabernáculo de drogas sintéticas. Oh yeh, baby!
Queima, um filete de fumaça dança ao sabor do vento, lembrando o bailar de uma lenta valsa de Beethoven escritas no período em que já encontrava surdo. Olhando-o parei de vê-lo pela primeira vez, foi estranho, mas passando o desconforto inicial pude aproveitar as sensações que o mesmo me colocava. Entre meus dedos trêmulos ele se consumia e com a ponta amarelada deixava um rastro de cinzas que insistiam em se agarrar ao filtro que parecia não as quer mais, elas haviam sido expulsas. Tive nojo do ser do cigarro que pendia em outro ser que era a minha mão, aquele amarelar cheirando a fumaça me era estranho, eram estranhos a mim, na verdade minha mão mesma era estranha a mim. O mundo se tornou um outro, tão distante, tão não-eu que tive medo, medo que ele por vontade própria quisesse me consumir. E parecia que conforme queimava, queimava a mim também.
Estou cansado, tiraram a beleza do mundo.
Analisam o mundo como o escultor que observa a sua obra, como se tevesse saído deles a beleza e no seu desvelamento subjetivo mascaram o real através de mesquinharias egoístas. Não sei se o mundo é ou se sou eu que o faço ser, acho que os dois acontecem ao mesmo tempo. Então na medida em que me modifico o mundo ao redor também muda, mas não muda por inteiro, existe algo de duro, sólido, compacto no mundo mesmo que eu nem ninguém será capaz de talhar ou modificar, JAMAIS.
Colocamos a sílaba “pós” nas palavras e achamos que com isso representamos algo. Se não possui identidade própria é porque não é. Nada de nomearmos pós nada, por favor.
Minha cabeça parece que vai explodir. Não dói, é mais um frenesi, uma vontade de sair correndo e gritando sem nenhuma razão aparente.
A casa esta toda fechada, chove e faz frio lá fora. Aqui dentro só meus pés descalços sentem frio. A casa fechada e inepta realiza um contraponto com a minha cabeça que por isso parece querer se livrar do meu corpo, avançar no tempo, realizar tudo de uma vez. Escrevo uma peça de teatro com dez paginas, inicio um romance com índice e descrição dos personagens, penso em uma revista sobre filosofia prática e crítica, e também em assinar uma assim, faço um roteiro para apresentar um filme as pessoas, penso em filmar um filme, começo um roteiro, destruo um roteiro, planejo um minicurso, idealizo debates departamentais dos quais ainda não participo, penso em ver um filme, desisto do filme, levanto sento deito, escorrego me arrasto durmo.
Ejaculo ideias como um tarado presidiário, elas grudam nas paredes e depois de meia hora já se tornam repugnantes. Tento continua-las, mas elas me enojam me envergonham. E depois de mais meia hora tudo de novo.
Minha cabeça parece que vai explodir. Não dói, é mais um frenesi, uma vontade de sair correndo e gritando sem nenhuma razão aparente.