quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Por ai...


“Eu sinto. Sinto algo de ruim que se aproxima, uma sombra que nos encobre. É a sobra do futuro, futuro incerto. Deixe me ir, eu quero ir primeiro, porra me esperem seus bandos de filhos da puta, me esperem passar pela linha de chegada, não custa nada me deixar ganhar ao menos uma vez. Não quero ganhar mais nada. Só quero ser o primeiro. Quando eu passar vocês me sigam, eu não temo o fim o que eu temo é ter de trilhar o caminho sem vocês. Por que haveria eu de querer trilhar essa merda de caminho, pedregoso, incerto, hora curvo hora reto. Eu sei que a felicidade é passageira e que a dor que não passa, ela esta nos objetos, nas lembranças, em tudo.


Por isso peço, melhor, lhes imploro, deixe me chegar em primeiro lugar.”


“Fraco de merda, choras quando mais precisam de ti, ri quando ninguém mais ri. Morra ou adapte-se.”


“Nada irá acontecer com aquele que com Deus for um só.”


“As mascaras não servem pra esconder, elas transformam o que vestem.”


“Algo pra se esquecer.”


Só para constar, estou na tentativa de encontrar um personagem central pra minhas histórias por isso o texto fora de época e por isso da falta de textos.


Imagem de Sir Lawrence Alma-Tadema

domingo, 23 de agosto de 2009

30º Dia




Um silêncio momentâneo foi rompido pela profunda respiração de Miro que ofegava e suava enquanto apontava o cano de um 38 preto para o próprio queixo. De longe Carla chorava incontrolavelmente, apenas coberta por um fino lençol de cama que descuidadamente mostrava-lhe parte do seio esquerdo. A três palmos de distancia dela Pedro observava boquiaberto e nu toda aquela cena. Todos estavam de pé e dispostos como em roda, o silêncio durou por cinco segundos que passaram como se fossem uma hora. Uma lagrima azeda correu pelo rosto de miro e desceu pela lateral da pistola como que a alisando. O gatilho estalou com o polegar de Miro que o colocava pra traz. Como que de forma natural Pedro deu um passo a frente e estendeu lentamente a mão em direção a Miro.

Um tiro de pistola, um grito de mulher e um corpo estendido no chão. Foi o que se deu nos cinco segundos seguintes.

(Continua)

Imagem de Joan Miró

domingo, 12 de julho de 2009

A Cartomante - Prólogo



Miro olhava quase sem piscar para a mulher a sua frente. Cega de um olho, com apetrechos que lhe pareciam pesar o corpo, a mulher lhe passava uma imagem, apesar de tranqüila, angustiante. “E então?” perguntou Miro. A mulher virou mais uma carta e com a voz doce porém cortante disse:

- Você morrerá em trinta dias.

(Continua)

Imagem de Joan Miró