quarta-feira, 7 de maio de 2008

Na Estação - 2/3


Segunda Parte – Mais dois personagens surgem.

Nesse instante a chuva começa dar uma trégua. A mulher pega o revolver e com ele virado pra si guarda-o na bolsa. Sem tirar-lhe a mão puxa de um maço de cigarros e acende um. Lentamente levanta-se e vai até a plataforma. Olhando pra cima parece procurar por estrelas ou ao menos a lua, entretanto o céu encoberto impede a precipitação dos astros, só lhe sobrando minha cueca, que ela quando se voltar para os trilhos irá perceber. E assim foi, porém sua reação me surpreendeu, assim que ela viu minha roupa de baixo, novamente se voltou aos prantos. Eu ainda não havia me percebido de suas vestimentas, portava ela de um comprido vestido verde que lhe revelava apenas os tornozelos e os pés, uns dos mais lindos que eu já vi, vestidos de duas sandálias pretas com salto alto agulha.

Terminou de fumar seu cigarro e voltou a sentar-se. Eu que perdi a oportunidade de sair de meu esconderijo para apreciar seu belo corpo me fiz o juramento que não tornaria a perder outra oportunidade. Mas algo começava a se revelar diante dos meus olhos e dizia que eu não conseguiria fazer-me cumprir deste juramento. Ela cruzou as pernas e lentamente começou a tirar as fitas que prendiam seus pés às sandálias. Tenho que me confessar ao caro leitor que começava a ficar vergonhosamente excitado. Ela terminou de tirar as sandálias, e olhando para os lados começou a descer as alças do seu vestido no que deixou esse escorregar pela sua pele até a cintura. Do meu canto escuro me sentia bastante nervoso e escondendo o fogo acendi um cigarro, e naquele beco agora podia se ver uma ponta vermelha que às vezes se inflamava. Não pensem que estava eu assistindo aquilo de forma tranqüila e animada, pelo contrario tremia da cabeça aos pés e me sentia cada vez mais atraído por aquela mulher.

Ela se levantou segurando o vestido, e levantou também, suave mente, os joelhos para poder tirar-lhe sem o sujar. Coisas de mulher que, num momento desses, pensa como que de forma automática se sua roupa esta amassando ou sujando. Todavia, antes mesmo que ela passasse a primeira perna ouviu-se um barulho na entrada da estação, ela rapidamente, e de forma uma tanto atabalhoada, se vestiu e novamente se sentou no que já começava a amarrar as sandálias. Era um homem, um tanto mais baixo que eu e um pouco mais alto que ela, parecia nervoso, e também parecia conhecê-la. O relógio já marcava três horas e eu já estava no meu quarto cigarro de dentro do meu canto escuro. Assim que o homem a viu ficou andando de um lado pro outro apressadamente atrás de suas costas. Até que se sentou ao lado dela e começou a falar. Eu estava longe e a plataforma estava escura, o que dificultava a minha audição ou uma deplorável tentativa de leitura labial. Entretanto pude reconhecer o homem, era meu irmão, e assim pude também reconhecer a mulher, minha cunhada. Eu em meu nervosismo e em minha miopia só agora a reconhecera.

Eu e minha cunhada há tempos que nos conhecíamos, e até chegamos a nos amar, porém seu pai não era muito chegado em minha pessoa, que nunca teve o que ele considera com sendo um bom emprego, preferindo meu irmão, coronel da marinha com o qual fez questão de casar a filha me restando apenas a prima, com quem ele me casou sem muito grado, entretanto em sua cabeça melhor a sobrinha do que a filha a se casar com um escritor. Meu irmão não parava de falar e ela apenas o ouvia de cabeça baixa. O relógio marcava três e quinze, e é nessa a hora que surge a terceira personagem. Uma mulher que, estando mais distante ainda de mim, eu mal pude definir-lhe os traços. Era mais baixa do que minha cunhada e tinha os cabelos negros como a noite mais escura. Ao menos agora eu os escutava já que meu irmão começara a gritar.

Continua...Terceira Parte – A trama se revela.

Imagem de Hans Baldung

4 comentários:

sweetsilent disse...

sutil...
Essa parte é mais tensa que a primeira,e o pior,que não termina aqui,causou uma angustia,ai ai ai..
=*

Orofino disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Orofino disse...

um tesao seu texto!
pa-pai! q virá na parte 3 ?
abraço

Ailatan Do Contrario disse...

Enquanto a euforia dessa noite sombria atormenta meu caro amigo escritor q se encontra no meio da incognita de ser um mero expectador do desenrrolar de uma história, eu crio profundo sentimento de rancor com a sua pessoa por se negar a me ceder sua compensação por ausencia, mesmo q tardia.
Ok!ok!
Permanecerei me comportando da forma q me pesar ser mais correta...nem boazinha nem má menina...rsrs
bj